Pastinha de beterraba – Jerusalém

No mundo das pastinhas, dips e patês, vivo procurando receitas novas e criativas para variar um pouco das tradicionais e surpreender tanto a mim mesma quanto a quem mais tiver a sorte de provar dos meus petiscos. kkkk. “Me achei”, agora, não é? Tá bom, exageros à parte, essa pastinha de beterraba é uma delícia! Apesar da simplicidade da receita, o resultado é um sabor único, intenso e suave ao mesmo tempo, e diferente de tudo que eu já havia provado antes.

Depois que comecei com o blog, toda vez que sento para escrever um novo post me pego lutando para colocar um sabor em palavras. Antes nunca tinha parado para pensar em como é difícil descrever sabores! E hoje confesso que está quase impossível com essa pastinha. Bem, eu tentei, mas só mesmo fazendo para provar. Confiem apenas nisso: fica ótimo! :)

Esta receita eu tirei de um livro lindo, que eu estou amando: Jerusalém, de Yotam Ottolenghi e Sami Tamimi. Normalmente, quando compro um livro novo de receitas, passo o olho, marco algumas que eu queira fazer, guardo, pego de novo de vez em quando, leio um pouquinho, e assim vai. Mas esse é o primeiro que eu estou lendo de cabo a rabo e me deliciando não só com as receitas, que são de encher os olhos e a boca, mas também com as histórias e a imersão quase que física na cultura dessa região que tanto me fascina e que é tão híbrida, em termos de povo, cultura, religião e tudo o mais.

Os dois autores são nascidos e criados em Jerusalém, mas já não moram lá há mais de 20 anos. Hoje eles vivem em Londres, onde têm 5 restaurantes muito badalados e conhecidos por lá. Segundo o livro, esta pastinha de beterraba é uma das mais populares entre os clientes da delicatéssen Ottolenghi. E eu entendo o porquê. :)2016-05-20_03-58-44_27130419745_o (2)

Na verdade, só fico um pouco confusa quanto ao nome desse… “prato” – vamos chamar assim por enquanto. Isso porque, no próprio livro, ele é mencionado de diversas formas: “purê” de beterraba, “patê” e até “salada”. Resolvi então chamar de pastinha, que é meio que um termo genérico para isso tudo. Pronto. Ela pode ser servida como patê ou entrada e sempre em temperatura ambiente. Com pão sírio torradinho fica deliciosa, mas confesso que já comi até como um “molhinho” para um frango à milanesa. Rsrs. Me julguem.

Quanto aos ingredientes, eu diria que o zaatar é o que dá o charme da receita. Ele confere todo um frescor a essa pastinha e combina MUITO com beterraba . Zaatar (ou za’atar) é um mix de especiarias muito comum no Oriente Médio e é composto por manjericão, manjerona, orégano, tomilho, sumac e gergelim, sendo que isso sempre pode variar um pouco. No Brasil, ele pode ser encontrado em lojinhas ou empórios árabes, armazéns de especirias online, em supermercados grandes, como o Pão de Açúcar, por exemplo, ou até no Mercado Livre. Não que ele seja obrigatório na receita – nada é, você sempre pode adaptar e criar em cima – mas se você gosta de provar temperinhos novos e, principalmente, se gosta da culinária dessa região do mundo, vale a pena ter em casa.

Já o xarope de tâmara (substituível por maple syrup), que também está entre os ingredientes, sinceramente, acho que não faria muita falta na receita, já que as beterrabas já são sempre tão docinhas. E o que constitui a base mesmo dessa pastinha é: beterraba, iogurte, alho, sal e azeite. Só essa mistura já fica fantástica e o patê já poderia até parar por aí. Uma delícia! É claro que os outros ingredientes deixam a receita um pouco mais elaborada, mas toda vez que eu provo antes de acrescentá-los penso que só assim eu já comeria o pote inteiro. Então vamos lá, receita, please, porque eu já escrevi demais. Vou colocar aqui as quantidades que eu adaptei mais ou menos para duas pessoas (dá e sobra), mas deixarei lá no final do post as quantidades originais do livro, que são para 6 pessoas.

Ingredientes

  • 3 beterrabas médias (mais ou menos 300 g já assadas e descascadas)
  • 1 dente de alho grande (ou um médio e meio)
  • 150 g de iogurte grego ou natural (daqueles sem açúcar, sem mel, sem nada)
  • um pedaço pequeno de pimenta chilli vermelha (uns 3 cm) sem as sementes
  • pouco menos  de 1 colher de sopa de xarope de tâmara ou mapel syrup (uso este)
  • 1 e 1/2 colher de sopa de azeite
  • 1/2 colher de sopa de zaatar
  • 1/2 colher de chá de sal

Para a decoração

  • 1 talo de cebolinha fatiado fino
  • 9 g de avelãs torradas e picadas grosseiramente (mas já usei nozes e castanhas também)
  • 35 g de queijo de cabra macio esfarelado (mas pode ser qualquer queijo branco de sabor intenso e bem salgadinho)

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Modo de preparo

Comece assando as beterrabas. Sugiro já fazer isso de manhã e deixá-las prontas e em temperatura ambiente para quando for fazer a pastinha, pois essa é a parte mais demorada. Estando com as beterrabas já assadas e frias, todo o resto pode ser feito em menos de 10 minutos. É muito rápido. Para assá-las, preaqueça o forno a uma temperatura entre 180 e 200 graus, lave as beterrabas, coloque-as numa assadeira com casca e tudo, sem cobrir, e leve ao forno por mais ou menos uma hora, ou até que uma faca pontuda possa ser facilmente enfiada bem no meio delas. Retire do forno e deixe esfriar completamente. Depois de frias elas ficam com uma aparência meio murcha e se descolam um pouco da casca.

Na hora em que for fazer a pastinha, já para servir, basta descascar as beterrabas, cortar cada uma em pedaços menores, colocar num multiprocessador, liquidificador ou numa vasilha, se for utilizar um mixer, acrescentar o iogurte, o alho e a pimenta e processar até que tudo vire uma pasta homogênea.

Transfira para um outro recipiente, acrescente o azeite, o sal, o xarope de tâmara e o zaatar. Misture bem e veja se ainda precisa acertar o sal. Decore com o queijo branco esfarelado com as mãos, as avelãs torradas, a cebolinha fatiada e está pronto! Fácil, não? :)

Extras sobre a receita

  • Eu nunca gostei de beterraba, mas como passou a vir muitas vezes no pacote semanal de orgânicos, precisei achar um jeito de fazer que me fosse mais agradável. Esse é um deles. E não só é “mais agradável”, como posso dizer que passei a gostar da dita cuja. Depois dessa receita já fiz outras saladinhas, com ela picada, ou fatiada, com molho de tahine, ou com limão, mas sempre assada. Acho o melhor jeito. Cozida ou crua, continuo não gostando muito.
  • Na receita original, está escrito apenas “iogurte grego”, mas eu acrescentei “ou natural”, porque acho que também deve dar certo e sei que no Brasil é muito difícil de encontrar iogurte grego “de verdade” (se é que isso existe fora da Grécia… rs) – ou seja, cujo único ingrediente é o leite sem o soro. A maioria que eu encontro aí tem adição de açúcar, sabor de mel etc., que, apesar de ser gostoso, não deve ficar muito bom nesta receita. Então acho que com o iogurte natural deve ficar bem melhor.
  • Vou colocar aqui as quantidades de ingredientes que estão na receita original, para 6 pessoas: – 900 g de beterrabas médias (5oo g no total, depois de cozidas e descascadas); – 2 dentes de alho; – 1 pimenta chili vermelha pequena sem sementes e bem picada; – 250 g de iogurte grego; 1 e 1/2 colher de sopa de xarope de tâmara ou maple syrup; – 3 colheres de sopa de azeite de oliva e um pouco mais para colocar por cima depois de pronto; – 1 colher de sopa de zaatar; – 1 colher de chá de sal; – 2 cebolinhas; – 15 g de avelãs; – 60 g de queijo de cabra macio esfarelado.
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Esta eu fiz com nozes, ciboulette e acho que exagerei um pouco no queijo… hihi

É isso! Beijos e espero que gostem! :)

 

 

 

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6 comentários sobre “Pastinha de beterraba – Jerusalém

  1. FeLuise disse:

    Nossa! Adorei!! A receita e o blog! Já estou seguindo e quero navegar pelas suas experiências também – não só receitas, mas relatos!
    Tenho uma salada de beterraba que adoro, e estou devendo escrevê-la … tomara que eu faça logo e você pode se inspirar mais
    ☺️

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